A África terá que esperar “semanas, senão meses” antes de receber as vacinas contra a covid-19 aprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS),

Quase 900 milhões de doses foram garantidas até agora por meio de várias iniciativas, o suficiente para inocular cerca de 30% dos 1,3 bilhão de pessoas que vivem no continente neste ano.

O acúmulo de pedidos de países ricos, déficits de financiamento, regulamentações e desafios logísticos, como cadeias de frio, retardaram o processo de distribuição das vacinas. “O mundo está à beira de um fracasso moral catastrófico e o preço será pago com vidas e meios de subsistência nos países mais pobres”, advertiu o chefe da OMS, Tedros Ghebreyesus Adhanom.

A pressão por maior equidade têm crescido. Quase 40 milhões de doses foram administradas em pelo menos 49 países de renda mais alta, em comparação com apenas 25 doses administradas em apenas um dos países de renda mais baixa, de acordo com Adhanom. “Não 25 milhões, não 25 mil, apenas 25”, disse ele, sem dizer a que país se referia.

Até agora, nenhuma das principais vacinas ocidentais chegou à África, quase dois meses depois que as primeiras doses foram administradas na Europa. E os pouquíssimos países do continente que aplicam doses atualmente utilizam vacinas que não foram aprovadas por nenhum orgão ocidental ou entidade multilateral, como a OMS.

‘Não busque superlucros’

Na África, a situação reacende memórias da década de 1990, quando o tratamento antirretroviral (ARV) para HIV/Aids foi feito nos Estados Unidos. Embora o continente tivesse uma população muito maior de pessoas infectadas com HIV, demorou pelo menos seis anos para que o tratamento que salvasse vidas pudesse estar disponível para os africanos.

Doze milhões de pessoas morreram na África de complicações relacionadas à Aids em uma década, mesmo com a mortalidade nos Estados Unidos caindo drasticamente, de acordo com análises dos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Winnie Byanyima, diretora-executiva da UNAids, o braço da ONU para o combate da Aids, tem estado na vanguarda daqueles que pedem maior equidade dos fabricantes de vacinas para covid-19.

“Não estamos pedindo a eles que tenham prejuízos”, diz ela à BBC.

Com os antirretrovirais, foi a pressão das pessoas que vivem com HIV e dos defensores do direito à vida que levou os governos a permitir a produção de tratamentos genéricos muito mais acessíveis.

“O preço (do tratamento anti-retroviral por pessoa) caiu de US$ 10 mil por ano (por pessoa) para apenas US$ 100 por ano”.

Ela quer que o mesmo ocorra com a vacina da covid-19, exortando a indústria farmacêutica “a não ser movida pelo desejo de superlucros”.

Byanyima acrescenta que as fabricantes ainda podem ter ganhos, mesmo se compartilharem suas fórmulas.

Lições ‘não aprendidas’

A BBC não conseguiu obter uma data específica do funcionário envolvido sobre quando as vacinas Covax poderiam ser entregues no continente. A estimativa mais otimista seria fevereiro, mas o prazo pode se estender até o fim de março para as remessas iniciais da instalação de Covax.

“Queremos distribuir as primeiras doses o mais rápido possível”, diz Schreiber, da Unicef.

As 270 milhões de doses garantidas diretamente pela União Africana devem ser entregues a partir de abril.

Nenhuma dose das vacinas aprovadas pela OMS está atualmente disponível para distribuição no continente.

“Essa lição (do tratamento anti-retroviral do HIV) ainda não foi aprendida”, diz Byanyima, da UNAids

fonte:bcc news

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